Empreendedorismo Brasiliense

Sócio de Self Storage montou negócio há um ano e meio. Experiência e ensinamentos do pai foram essenciais para gerir a empresa.

Diogo da Silveira, 32 anos, herdou do pai, Álvaro da Silveira, 75, muito mais que os traços do rosto. O tino para o empreendedorismo, definitivamente, está no sangue. Álvaro foi fundador da Drogaria Rosário, em 1975, já Diogo, ao lado de Bruno Lobo, 31, comandam a Selfstok (Cidade do Automóvel), uma empresa de self storage (aluguel de espaços para armazenamento de pertences, seja de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas).

Diogo conta que ajudava o pai no trabalho desde “moleque”. “Eu lembro de ir à drogaria durante as férias escolares, quando tinha uns 12 anos, e ajudar no caixa e em algumas outras coisas. Era quase que brincar de trabalhar”, lembra. Ao longo do tempo, ele passou por todas as áreas de uma farmácia: começou no almoxarifado, e, depois, passou para setores que envolviam mais estatísticas e cálculos em geral, como gestão de estoques, compras, distribuição e precificação.

Com o exemplo dentro de casa, não teve jeito. Formado em Engenharia Civil na Universidade de Brasília, Diogo acabou seguindo outro caminho: o de empresário. Fundada em julho de 2016, a parceria entre os sócios surgiu bem antes: “Eu e Bruno nos conhecemos desde a época de faculdade, lá em 2003, através de amigos que temos em comum”. Já a ideia de abrir a Selfstok veio dez anos depois. “O objetivo era investir no mercado imobiliário no segmento de locação de imóveis visando uma receita recorrente sólida que pudesse nos dar estabilidade no longo prazo. Nós já conhecíamos a atividade de self storage e, quando comparado ao resto do mundo, o Brasil ainda tinha uma baixa oferta de empresas de qualidade que atuam nesse mercado”, explica o co-fundador.

Para ele, a procura por self storages tem aumentado devido a um fator cada vez mais recorrente: a redução dos imóveis. “Casas e apartamentos diminuíram de tamanho, em casos extremos, houve lançamentos de unidades com 14m². Com isso temos mais artigos em nossas casas e menos espaço disponível”. O empresário ainda ressalta que esse tipo de local é uma alternativa barata e prática. “Temos boxes dos mais diversos tamanhos e você escolhe aquele que atende somente a sua necessidade específica. O espaço, localizado na Cidade do Automóvel, agora conta com 414 boxes (antes eram 152 unidades), que vão de 2,25 m³ (equivalente a um armário, bom para guardar caixas, malas e pequenos objetos) a 40,5 m³ (ideal para empresas que precisam de um espaço extra para armazenar produtos e mercadorias) “.

Desde então, já foram cerca de R$ 8 milhões investidos. “Apesar de recente, a Selfstok já passou por uma ampliação este ano. “Nós tivemos um aumento da demanda por boxes pequenos e resolvemos aumentar a quantidade deles, para atender melhor os nossos clientes. Para realizar os objetivos, foi necessário empregar R$ 1,5 milhão”, explica. Trata-se de um negócio imobiliário com uma necessidade alta de investimento”. “Estamos olhando dois outros lugares na cidade a fim de instalar unidades compatíveis com a que temos hoje. Com isso, consolidamos mais a nossa marca e conseguimos atender melhor o nosso cliente”, ressalta.

Segundo o co-fundador, a expectativa para este ano é grande: dobrar o espaço locado. Com visão de longo prazo, a dupla conduz a empresa sem afobação. “Encaramos esse investimento como parte de um plano de negócios para a unidade inteira. O tempo estimado de retorno para a unidade inteira é de 8 anos”, explica Diogo. No curto prazo, a dupla espera um crescimento de 30% do faturamento até o final de 2018.

Mesmo com o negócio encaminhado, Diogo não deixa de consultar àquele que, para ele, é uma espécie de mestre. “O conselho do ‘cabelo branco’ é muito importante. O meu pai ensinou a ter serenidade, a ver o longo prazo, a perpetuar o negócio para a família, a traçar estratégias sob pressão e enfrentar o risco. Ele já viu de tudo, investiu em uma época de inflação altíssima, já passou por crises de todo tipo. Tem várias vezes que eu estou em uma situação difícil e me pergunto ‘o que o meu pai faria?'”. E engana-se quem pensa que é apenas uma maneira de falar. “Nós fazemos uma reunião semanal e o meu pai dá conselho, ele participa de todas as grandes decisões”, revela.

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