Orquestra de Brasília em Nova York

A OBACH, (Orquestra Brasileira de Arte, Cultura e História), encerrou seu primeiro ano de atividade em grande estilo, com uma turnê em Nova York. Finalizada a temporada 2017, que presenteou o público de Brasília com apresentações gratuitas no Santuário Dom Bosco e Catedral de Brasília, o grupo formado por 11 instrumentistas embarcou para a cidade americana em sua primeira jornada fora do país.

A oportunidade de ir a Nova York surgiu com o convite feito pela compositora carioca radicada nos Estados Unidos Angélica Faria George, diretora do IAHP (Intercultural Art and Healing Project), instituição sem fins lucrativos que tem como objetivo promover a paz e o entendimento mundiais através de intercâmbios artísticos e culturais entre países. Angélica idealizou evento em homenagem ao padre brasileiro José Maurício Nunes Garcia (1767-1830), o José Maurício Nunes Garcia Tribute, realizado no Dimenna Center for Classical Music, considerado a “casa” da música clássica em Nova York.

“Este evento festejou os 250 anos de nascimento deste que foi um dos expoentes do classicismo nas Américas. A iniciativa da Angélica é louvável, pois lança luz e busca o resgate de um grande talento musical, realmente brilhante, que, lamentavelmente, é quase desconhecido do mundo das artes”, afirma a violinista Kathia Pinheiro, fundadora da OBACH ao lado do maestro e cravista Airan D’Sousa. No programa apresentado pela OBACH, uma viagem às influências europeias com Handel, Vivaldi e Corelli e o concerto multimídia José Maurício: Epiphany 250, escrito pela compositora Angélica, com projeção de vídeos criados pelos artistas brasileiros Bianca Rezende, Fernando Gonçalves e Giul ia Donato.

“A turnê foi fruto de uma semente que plantamos com muito amor e dedicação e, estou certa, de que juntos colheremos muito mais. A oportunidade de nos apresentar nessa grande cidade sinaliza que estamos no caminho certo e que a música desconhece fronteiras”, comemora a violinista. “Temos a missão de representar uma sonoridade pouco conhecida pelo grande público. A música brasileira tem uma grande força no universo cancioneiro e popular, também temos grupos que expressam a música instrumental contemporânea, seja na Bossa Nova ou no Fusion brasileiro. Todavia, queremos complementar o pequeno cenário da música instrumental concertista que traz signos próprios . Nosso slogan é: Viaje no tempo através da música, Conheça a OBACH!”, complementa o maestro.
Além dos acontecimentos em torno do José Maurício Nunes Garcia Tributo, que contou, ainda, com uma palestra na Câmara do Comércio Brasileira America, a OBACH se apresentou nas igrejas Our Lady of Pompeii e Grace Von Vorst e Escola Audubon a convite de João Macdowell, diretor da IBOC (Internacional Brazilian Opera Company). Com a IBOC, a orquestra brasiliense executou pela primeira vez trechos de O Sétimo Selo – Fantasia Instrumental, composição de João MacDowell em homenagem ao centenário do cineasta sueco Ingmar Bergman.

Nas apresentações, a OBACH manteve a tradição de apresentar o movimento das Quatro Estações de Vivaldi correspondente à estação do ano, e levou ao público obras de Handel, dos compositores brasileiros Carlos Gomes e Heitor Villa-Lobos. Em uma das ocasiões, contou com a participação da soprano Kristin Young, na peça Bachiana nº 5. O entrosamento foi tamanho, que a OBACH articula com a cantora sua participação na temporada 2018 da OBACH, em Brasília. “Apesar de a essência da nossa orquestra ser a música barroca, o “B” de OBACH significa brasileira. Queremos visitar, cada vez mais, a obra de compositores eruditos brasileiros de todos os tempos”, adia nta Kathia Pinheiro

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SOBRE A OBACH
Formada a partir dos músicos integrantes da Toccata Produções e Locações, que tem a violinista Kathia Pinheiro (Kathia foi spalla da OSTCNCS por 22 anos), como fundadora, a OBACH surgiu com a proposta de resgatar a música erudita em sua forma mais original possível, através da performance histórica.
Há tempos que músicos da Toccata manifestavam interesse em se aprofundar na música antiga, então foi organizado uma orquestra de câmara com 11 instrumentistas que ensaiam desde meados de 2016. “Me aposentei em 2016 depois de 36 anos de OSTNCS e, confesso, fui grande entusiasta da criação da OBACH até para continuar tocando em orquestra, algo que me realiza muito”, declara Kathia.
A orquestra é composta por cinco violinos, duas violas, dois violoncelos, um baixo e um cravo. O diferencial, porém, vai além da execução da música antiga europeia com interpretação o mais fidedigna ao cenário de cada época. “Nosso movimento busca o resgate do ambiente musical euro-brasileiro que tem perdido cada vez mais espaço, ficando fora dos holofotes e, consequentemente, distanciando-se do público. Investimos em um perfil internacional para trabalhar com as conexões culturais do Brasil com o continente europeu para enriquecer essa experiência”, explica Airan D’Sousa.
“Em nosso primeiro ano conseguimos reunir elementos sonoros que estão na base da música brasileira. Tudo o que a OBACH tocou vem ao encontro das influências que a música antiga ocidental exerceu no processo de formação de identidade musical do Brasil. Nossa expectativa para 2018 é que consigamos desmitificar a complexidade da música erudita, que o público brasiliense perceba que a música acústica orquestral é um benefício não apenas para a alma, mas também para o corpo. É uma música que privilegia a nossa reflexão existencial e nos traz a paz necessária para vencermos os desafios do trabalho coti diano”, afirma Airan.

Integrantes OBACH:
Kathia Pinheiro, Airan D’Sousa, Clinaura Ramos, Cássio Daniel, Paulo Cesar Xavier, Victor Bueno, Carlos Eduardo Leandre, Andre Freire, Mirella Righini e Rui Eduardo Xavier

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